Semana Missionária 2013

Saiba mais informações sobre a participação de jovens estrangeiros.

5ª Jornada Diocesana da Juventude.

Confira as fotos da 5ª JDJ em Terra Boa.

Campanha da Fraternidade 2013.

Cartaz é divulgado pela CNBB.

Escola Diocesana de Líderes

Setor Juventude realiza capacitação para as juventudes com especialistas.

Camiseta Oficial

Camisetas da delegação da Diocese para a JMJ já estão prontas.

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sábado, 2 de junho de 2012

Pe. Ezio: "Se os jovens não mudarem o mundo, ninguém o fará."

A evangelização dos jovens na Diocese de Campo Mourão, ao longo de sua história, tem contado com diversos protagonistas que, com empenho, gratuidade e muito amor, dedicam-se à promoção da juventude. Um dos rostos de maior destaque neste processo, sem dúvida, pertence ao padre italiano Ezio Lorenzo Bono, religioso da Sagrada Família de Bérgamo, e que atuou como assessor diocesano da Pastoral da Juventude nos anos 90 e fez surgir para a Igreja e para a sociedade inúmeras lideranças, por meio de um trabalho consistente de formação e acompanhamento (inclusive financeiro) dos jovens. Neste período, para se ter uma ideia da efervescência resultante dos seus esforços, Padre Ezio conseguiu nuclear, só em Peabiru, pelo menos quatro grupos juvenis atuantes ao mesmo tempo. O número de coordenadores dos grupos de Peabiru, sua comunidade de então, chegou a ultrapassar 50! Não é à toa que, mesmo após quase duas décadas, sua carismática figura continue a ser lembrada como modelo positivo para a Igreja Diocesana quando o assunto é evangelização juvenil. Doutor, Bono reside atualmente em Moçambique, onde continua a dedicar sua vida à juventude, dirigindo uma universidade da qual é fundador. Mesmo com um copioso currículo missionário, engana-se quem pensa que ele se dá por satisfeito. Sua meta agora é a Índia. Em bom português moçambicano, o "Poderoso Chefinho" ― apelido que ganhou por aqui ― conta um pouco da sua caminhada, nesta entrevista concedida ao Setor Juventude.


1. Quem era o jovem Ezio Lorenzo Bono, antes de optar pela vida religiosa?
Toda a minha vida foi dentro da Igreja (entrei no seminário menor com 11 anos de idade!) e por isso não consigo pensar-me diferentemente daquilo que sempre fui na vida inteira: um cristão! Não há um “antes” e um “depois”, sempre fui o mesmo!

Santa Paula Elisabete Cerioli, Fundadora da Congregação da S. Família.
2. O que fez com que o senhor aderisse ao carisma de Santa Paula?
No começo quando entrei no seminário, não estava claro o que era o Carisma da Congregação. Com o passar dos anos e com o aprofundamento dos estudos, fiquei apaixonado pelo Carisma da Santa Paula Elisabete que visa a educação das crianças mais desfavorecidas, e a educação da juventude ao sentido da família. É isso o que fiz na vida inteira.

Na Cidade do Cabo, na África do Sul.
3. É rica a sua trajetória como missionário: faça-nos um resumo dela até aqui.
Desde quando fui ordenado padre prestei serviço na Itália (províncias de Bérgamo, Milão e Pavia); no Brasil (Peabiru); na Suíça (Giornico) e no Moçambique (Maxixe), sempre trabalhando com a juventude. Espero de continuar a trajectória missionária indo para a Índia.

Encontro de Formação em Doutor Camargo em 1995.
4. A sua presença na Diocese de Campo Mourão, na década de 90, dinamizou a evangelização da juventude e fez suscitar várias lideranças. Ainda hoje, o seu trabalho juntos aos jovens é apontado como referencial. Qual é o segredo?
Não sabia que ainda estão a se lembrar de mim. Bom, eu acho que trabalhar com a juventude é essencialmente um problema de comunicação: devemos procurar tocar o coração deles para que percebam que acreditar em Deus é a coisa mais importante e linda que podemos fazer na nossa vida. O segredo? É sentir um amor profundo pela juventude: os jovens percebem logo quando são amados por alguém.

Com jovens de Maxixe.
5. Como tem sido a sua experiência missionária em Moçambique?
Cheguei em Moçambique em 1998 e até hoje estou a viver uma experiência muito intensa de apostolado e trabalho com a juventude. Nos primeiros anos como responsável do Centro Juvenil de Maxixe onde animava a Pastoral da Juventude e catequese de milhares de jovens, e naquela altura eu era também responsável diocesano da Pastoral da Juventude. Nestes últimos 7 anos como Director, dirigindo  a Universidade que tem mais de 2000 estudantes e 110 docentes; como Professor Doutor, leccionando filosofia e teologia contemporânea e africana.


6. Em que precisamente os jovens brasileiros e moçambicanos se assemelham e se distinguem?
Eu acho que os jovens do mundo inteiro se semelham bastante. Todos têm a mesma vontade de viver, de estudar, de divertir-se, de amar, de lutar, de sonhar… Os jovens brasileiros têm mais condições para realizar os seus sonhos. Os jovens moçambicanos devem sacrificar-se muito mais para poder ver os seus sonhos realizados. Todos porém são maravilhosos!

Com Sandra Bazzanini, ex-coordenadora da PJ.
7. O senhor se considera um padre progressista? Como encara o avanço das Igrejas Evangélicas brasileiras na África? 
Eu me considero um padre da Igreja Católica! O avanço das igrejas evangélicas deve ser um motivo de grande reflexão dentro da Igreja Católica, especialmente para  rever a sua capacidade de comunicar com as pessoas.


8. O senhor dirige uma importante universidade em Maxixe que ajudou a fundar. O que lhe motiva a levar adiante uma instituição deste porte? O que um curso superior pode agregar à vida do jovem?
O motivo principal que nos levou a trabalhar para a Universidade, é dar a possibilidade de acesso ao ensino superior a milhares de jovens que doutra maneira não poderiam acessar. O Moçambique tem uma percentagem muito pequena de jovens universitários, e isso é uma das causas da sua pobreza económica. Sabemos que as grandes revoluções no mundo frequentemente partiram das universidades. O Moçambique está à espera destes novos jovens muito inteligentes que possam revolucionar o País.

Missa à sombra de uma árvore.
9. A diocese de Campo Mourão escolheu os jovens como assunto prioritário. Além disso, a Igreja no Brasil está na expectativa da Campanha da Fraternidade sobre a juventude e da celebração da Jornada Mundial em 2013 no Rio. Que mensagem o senhor deixa aos jovens brasileiros?
Anos atrás a Legião Urbana cantava “O Brasil é o País do futuro”. Cabe aos jovens lutar para que o Brasil seja o País do presente: se não são os jovens que mudam o mundo ninguém o fará.


10. Bate-bola rápido:
Prato favorito: Sem dúvida: Pastasciutta!
Um time: Atalanta.
Uma saudade: O Brasil!
Um ídolo: Nelson Mandela.
Um sonho: Ser missionário na Índia.
Um arrependimento: Não ter amado muito mais.
Um santo: João Paulo II
Uma banda musical: U2
Um lugar: Moçambique!
Uma citação: “Solo l’amare, solo il conoscere conta. Non l’avere amato, non l’aver conosciuto”


Nosso agradecimento sincero a Padre Ezio pela atenção em conceder-nos esta entrevista e nosso reconhecimento pela frutuosa presença na Diocese de Campo Mourão. Deus lhe pague!
Fábio Sexugi

terça-feira, 22 de maio de 2012

Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos: entrevista com o Pastor Lidio Zschornack

Marco na evangelização da juventude, o Documento 85 da CNBB propõe à Igreja do Brasil “motivar no jovem o diálogo inter-religioso e a abertura para a irrenunciável dimensão ecumênica da vida cristã” (133). Por esta razão, na Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, o Setor Juventude da Diocese de Campo Mourão entrevistou o Pastor Lidio Zschornack. Gaúcho e de origem germânica, ele mora em Mamborê e é membro da Igreja Evangélica Luterana do Brasil (IELB) desde pequeno. Apesar dos cabelos brancos, o Rev. Lidio demonstra muito entusiasmo e juventude, que podem ser facilmente constatados na sua abertura aos novos desafios, como um outro curso superior, além da desenvoltura nas mídias sociais. Às vésperas de completar 64 anos, ele conta um pouco da sua trajetória de vida nesta entrevista.


1. Pastor Lídio, conte-nos um pouco da sua história.
Primeiramente, obrigado, Prof. Fábio Sexugi, pela oportunidade que você e o Setor Juventude me dão para essa entrevista. Nasci aos 25 dias de maio de 1948 em Pelotas, RS, trabalhando com meus pais na roça até aos 13 anos de vida. Sou de uma família de 4 irmãos e uma irmã. 

Com os colegas do Seminário Concórdia de Porto Alegre, em 1960.
2. Como nasceu no senhor o interesse em se tornar pastor?
Naquela época (13 anos), por incentivo dos meus pais e de um pastor, que nos visitara, peguei minhas malas e fui estudar num internato (Seminário Concórdia) em Porto Alegre, RS. Ali,  com 14 anos, comecei a cursar o antigo Curso Ginasial (5ª a 8ª série do Ensino Fundamental), Colegial (Ensino Médio) e, por fim, o Curso Teológico (4 anos).

O 4º, na 1ª fila, da esquerda para a direita, com 20 anos, no seminário.
3. Em termos acadêmicos, quais cursos são necessários para alguém ser ordenado pastor da Igreja Luterana?
No curso de Teologia:  Isagoge = Introdução aos livros da Bíblia, seus autores, quando foi escrito, tema;  Exegese = análise de texto bíblico; Homilética = como fazer uma mensagem, homilia; Dogmática = estudo das doutrinas bíblicas; História das Igrejas: seu surgimento e suas doutrinas; Estudo do  Hebraico; Grego; Latim; Noções básicas sobre Psicologia, Filosofia e Sociologia, etc.

Inauguração da nova Igreja Luterana em Mamborê em 2010.
4. É difícil ser pastor protestante num país de maioria católica?
Não é difícil, porque a receptividade do povo brasileiro é boa. Pessoalmente, no meu pastorado, tenho tido experiências gratificantes com a Igreja Católica e vice-versa, com também com as demais igrejas cristãs tradicionais. Em muitas oportunidades no meu pastorado, atuei ao lado de padres e outros pastores em cerimônias como as da Semana da Pátria, Aniversário do Município, devocionais nas escolas, Dia da Bíblia, e festas das igrejas. Eu sempre tenho esse lema: Respeito todas as igrejas cristãs, para que a minha seja respeitada também.

Com o neto Leonardo.
5. Atualmente o número de evangélicos no Brasil ultrapassa 20%. Paralelamente, porém, acontecem fenômenos curiosos, como o surgimento de uma nova categoria: os assim chamados "evangélicos não-praticantes"; além disso, percebe-se também uma migração cada vez mais freqüente de fiéis do Protestantismo Histórico para Neo-Pentecostalismo. Como o senhor avalia esse contexto?
Conforme pesquisas, um número razoável de fiéis historicamente protestantes estão migrando para o Neo-Pentecostalismo, porque procuram soluções que muitas vezes não encontram no Protestantismo Histórico. Na minha Igreja Luterana (IELB), a participação regular e efetiva dos fiéis nos cultos e na Eucaristia não chega a 40%. As igrejas devem rever sua postura como igreja, rever sua atuação e se envolver mais fortemente nas questões sociais.

Falando aos jovens durante congresso.
6. Como fruto de um intenso diálogo ecumênico e depois de séculos de hostilidade mútua, a Federação Luterana Mundial e a Igreja Católica assinaram em 1999 um documento histórico: a Declaração Conjunta sobre a Doutrina da Justificação, afirmando que as confissões luterana e católica professam a mesma doutrina sobre a justificação pela fé, ainda que com desdobramentos distintos. À parte disso, é fácil falar de fé e justificação numa sociedade cada vez mais secularizada e indiferente aos valores cristãos?
Não é fácil, porque muitas pessoas desejam soluções para o agora, para o palpável. Elas procuram igrejas que enfatizam curas físicas, conseguir um bom emprego, ter o carro do ano, etc, e essas pessoas se esquecem de que devem "buscar em primeiro lugar o reino de Deus e a sua justiça e as demais coisas serão acrescentadas", conforme recomendação do Salvador Jesus no Evangelho de Mateus (6,33).

Com os colegas do Curso de Letras.
7. O senhor está cursando Letras na Fecilcam. Como tem sido essa experiência?
Como aposentado, e com 64 anos, me sinto feliz e bem entrosado com meus colegas bem jovens. É uma experiência altamente gratificante estar sentado ao lado de colegas de mente aberta e com novas ideias. Também vale ressaltar que praticamente todos os meus professores são bem mais jovens do que eu. São ótimos comunicadores e têm um profundo domínio da matéria que lecionam.

Teatro durante o Vesper Romanae, mostra cultural de Latim da Fecilcam.
8. As mídias sociais, como o Facebook, fazem parte da sua vida cotidiana. Conte-nos um pouco sobre isso.
Eu sou fã do Facebook, (também do e-mail) como também você, Prof. Fábio, o é. Gosto de me comunicar com as pessoas e isso me traz um tremendo bem interior. Considero-me jovem, mesmo com todos os meus cabelos brancos. Sempre penso assim: jovem é aquele que, mesmo idoso, tem DEUS em sua vida, cultiva novas amizades, aprecia novas ideias, interessa-se de fato no bem estar do semelhante, sabe ouvir atentamente as angústias do próximo, ama e cuida da natureza, participa  com olhar crítico das ações políticas seja no município e em outras esferas.

Em entrevista à Rádio T em Mamborê.
9. Estamos na Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. Jesus orou ao Pai “para que todos sejam um” (Jo 17,21). O senhor acredita que esta prece de Cristo está perto de ser realizada? A unidade é possível?
Acredito, sim, desde que todos nós saibamos afastar o que impede a nossa aproximação. 


10. Inter ou Grêmio?
Eu sou Inter de coração, graças a Deus... kkkkkkkk E estou em constante reza para que ele seja campeão nesse ano no Campeonato Brasileiro.

Obrigado, amigo Fábio Sexugi, meu professor de Latim, pela oportunidade concedida.

O Setor Juventude agradece de coração ao Pastor Lídio pela disponibilidade em conceder-nos esta simpática entrevista nesta semana tão significativa para os cristãos. Como disse o Papa Bento XVI durante visita à Igreja Luterana de Roma em 2010, o papel dos discípulos de Jesus Cristo é “mostrar ao mundo sobretudo isto: não as brigas e conflitos de todo o tipo, mas a alegria e a gratidão pelo fato de que o Senhor nos doa tantas coisas e porque existe uma unidade real, que pode tornar-se cada vez mais profunda e que deve tornar-se sempre mais um testemunho da palavra de Cristo, da via de Cristo neste mundo”. Por toda a diocese, são diversos os exemplos positivos de colaboração e respeito mútuos entre jovens católicos e luteranos em ações sociais, apresentações de teatro e atividades desportivas que vislumbram para nós uma unidade possível, na qual as divergências são respeitadas e aquilo que nos aproxima é enfatizado: a fé no mesmo Senhor. Ao Pastor Lídio, nosso abraço fraterno e nossa prece. 
Fábio Sexugi

domingo, 13 de maio de 2012

Entrevista com o Prof. Antônio Carlos Aleixo, diretor da Fecilcam

Historicamente, a Diocese de Campo Mourão destaca-se pela formação da juventude. Tem sido assim desde a década de 70 quando, por impulso do Concílio Vaticano II e da abertura que o decreto Apostolicam Actuositatem dava aos leigos, diversas paróquias contavam com grupos de jovens. Nos anos 80, no entanto, é que se consolidou a evangelização juvenil, por meio da adoção de ações mais articuladas resultantes da implantação da Pastoral da Juventude e da formação integral do jovem que esta propunha. Foi um período riquíssimo para a história diocesana, uma vez que fez suscitar inúmeras lideranças – jovens idealistas comprometidos com a assim chamada Civilização do Amor (Puebla 1188) – cuja militância continua a abrir caminhos ainda hoje.

Tal é o caso de Antônio Carlos Aleixo, mais conhecido como Prof. Carlinhos. Ele é o diretor da Faculdade Estadual de Ciências e Letras de Campo Mourão (Fecilcam). O que pouca gente sabe é que ele foi um importante coordenador diocesano da PJ e ajudou a expandi-la para as diversas comunidades. Entrevistado pelo Setor Juventude, ele conta um pouco dessa sua experiência e sobre outros assuntos.


1. Professor Carlinhos, conte-nos um pouco da sua trajetória de vida.

Primeiro gostaria de expressar minha alegria em responder a essas perguntas para o Setor Juventude. Bem, eu nasci em Luiziana, em 1967, numa localidade chamada Bairro dos Paulistas. Nasci de parteira, numa casa com chão batido e telhado de taboinhas, feita pelo meu próprio pai. Tenho o maior orgulho da minha família por isso. Meus pais me criaram com muita simplicidade. Estudei até a terceira série na zona rural, depois nos mudamos para a cidade de Luiziana, onde ficamos até eu completar o Ensino Médio. O estudo dos filhos foi a rota geográfica da família. Comecei a trabalhar registrado com 14 anos, numa biblioteca escolar. Em 1985, vim para Campo Mourão, para fazer curso superior. Na época a Fecilcam era Facilcam e nós pagávamos para estudar. Fiz Letras. Fui professor da Educação Básica até 2003 e agora sou professor do Curso de Letras da Fecilcam, antes de tudo. Estar na direção da Faculdade é conjuntural.

2. Na década de 80, o senhor foi coordenador diocesano da Pastoral da Juventude. Em que essa experiência colaborou na sua formação pessoal?

Quando eu vim para Campo Mourão, comecei a participar da JUCAM - Juventude Católica de Campo Mourão, na época um grupo de jovens da Capela (hoje Paróquia) São Francisco de Assis. Já havia sido catequista em Luiziana. Minha família é toda de confissão católica. Fui coordenador da Jucam, quando em 1986, 1987 comecei a participar da Coordenação Diocesana da Pastoral da Juventude. Foi um período de muita força nos grupos de jovens de Campo Mourão, com vários padres apoiando, muitos eventos. Estive ligado à PJ até 1989. O Cristianismo me ensinou a solidariedade, me ensinou a repartir, me influenciou demais na minha formação política posterior. Posso garantir que o Cristianismo me abriu caminho para a frutificação das teorias socialistas no meu coração e na minha mente. Às vezes eu me pego com a metodologia do VER-JULGAR-AGIR no meu cotidiano de professor e administração público.


3. Os jovens da região de Campo Mourão enfrentam diversos problemas sociais: evasão escolar, violência, gravidez precoce, desemprego e vulnerabilidade às doenças infecto-contagiosas e às drogas. De que maneira a Fecilcam tem colaborado para reverter essa situação?

A Fecilcam faz muito pouco para tematizar esses assuntos. Com relação à evasão escolar, implantamos uma assessoria para cuidar disso, na Fecilcam. E hoje, nossa principal meta, é colocar o ensino em primeiro lugar para discussão, porque achamos que no campo da pesquisa e extensão, a Fecilcam já está em fase de consolidação de políticas. Na verdade, qualquer Instituição de Ensino Superior faz bem pouco para temas específicos assim. Espera-se que o trabalho realizado pelo ensino superior dê conta de produzir cultura mais elaborada, mais desenvolvida, nos jovens e a partir de então, esses jovens desenvolvam-se plenamente.


4. A maioria dos alunos da Fecilcam e das demais instituições de Ensino Superior de Campo Mourão é composta por jovens. O que um curso de graduação acrescenta na vida do jovem e da sua comunidade?

Há pesquisas que mostram o efeito do Ensino Superior na vida de uma pessoa. Primeiro, o Ensino Superior colhe o ser humano, geralmente, na fase de definições pessoais e profissionais. Segundo, que o Ensino Superior ensina, além da profissão, a intelectualização científica, para além do senso comum. Isso é muito importante, pois um jovem que despreza o senso comum é mais crítico, mais ativo, menos preconceituoso, mais solidário. O Curso Superior tende a ensinar a não agir de qualquer maneira, numa situação conflituosa, por exemplo. Ensina a ter menos medo, a raciocinar melhor. E isso tudo ajuda sempre. Sem contar com a melhoria salarial.


5. Como diretor da Instituição, o senhor criou políticas que facilitam o acesso dos jovens ao Ensino Superior, reduzindo o valor da inscrição para R$ 50,00 e implantando um programa de isenção dessa taxa. Quem pode ser beneficiado por este programa? Essas iniciativas têm dado bons resultados?

Tem. Nós conseguimos ampliar em 50% o número de inscritos para o vestibular desde que abaixamos o valor da inscrição. O ideal seria o fim do vestibular, mas isso ainda é impossível. Bom se todos pudessem fazer curso superior. E criamos um grupo de trabalho muito ativo, que sair para as escolas divulgando o vestibular. Muitos ainda pensam que a Fecilcam é privada e que tem que pagar para estudar ali. Na verdade, introduzimos a cultura de que vestibular não é para a Fecilcam ganhar dinheiro.

Construção do novo campus da instituição.
6. A Fecilcam está comemorando seu 40º Aniversário no momento em que constrói seu novo campus (próximo ao Seminário São José). Que leitura o senhor faz da importância da Fecilcam para a região até agora e o que sonha para ela no futuro?

A Fecilcam sempre foi muito importante para os jovens trabalhadores da região que desejaram fazer curso superior. Depois da gratuidade, mais importante ainda. E agora, nos últimos dez anos, mais ou menos, quando iniciamos o trabalho de priorizar também a pesquisa, a iniciação científica, temos produzido uma inteligência que atinge a pós-graduação e isso tem levado, por exemplo, jovens trabalhadores, filhos de trabalhadores, a concluírem o doutorado, por exemplo. Temos vários exemplos dessa experiência. Algumas pessoas pensam que é por "força pessoal", "sorte", "destino", mas são as condições sociais que pressionam, inclusive, os desejos pessoais, na minha opinião. Onde há otimismo, avançamos. Onde há incentivo, avançamos. Quando vemos pessoas inteligentes, queremos ser iguais. Funciona assim também.


7. Afinal, professor, Capitu traiu Bentinho?

Para o Bentinho, traiu. Mas ele era advogado. Eu não tenho certeza.

A coordenação do Setor Juventude da Diocese de Campo Mourão agradece vivamente ao Prof. Antônio Carlos Aleixo não apenas pela gentileza da entrevista, mas, sobretudo, pela relevante contribuição no acompanhamento e formação dos jovens e pelo apoio aos diversos eventos da juventude diocesana. Diante de tantos desafios que os jovens enfrentam hoje em dia, a parceria solidária entre os vários setores da sociedade – como sugere o Doc. 85 da CNBB (235) – é uma alternativa segura para acelerar a construção de uma sociedade mais justa e fraterna: o Reino de Deus tão sonhado. Ao Prof. Carlinhos nosso abraço e reconhecimento.
FÁBIO SEXUGI
Coord. diocesano do Setor Juventude

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Irmã Lizandra: "Juventude, a hora é agora!"

Para conhecer um pouco mais os Amigos da Juventude na Diocese de Campo Mourão, o Setor Juventude fará algumas entrevistas que serão divulgadas aqui no blog. Nossa primeira entrevistada é a jovem religiosa Filha do Amor Divino, a gaúcha Lizandra Inês Both, assessora diocesana da Pastoral da Juventude.


1. Irmã Lizandra, de onde você é e quantos anos tem?

Eu, Irmã Lizandra Inês Both, FDC, tenho 23 anos, nasci no interior do Rio Grande do Sul, no município de Campina das Missões.

2. Como você percebeu o chamado à vida religiosa?

Meus pais desde pequena foram me ensinando os valores cristãos e me inserindo na comunidade eclesial onde eles são lideranças. Lembro que na comunidade, todo fim de semana, se rezava pelas vocações e se incentivava os adolescentes e jovens a refletir sobre a vocação e a também optarem pela Vida Religiosa Consagrada. Isso tudo foi ajudando a deixar meu coração mais sensibilizado.

Mas o que de fato depertou a vocação foi a presença da Irmã Anita Pulh, prima de minha mãe, em minha vida. Sempre que ela vinha de férias, ela visitava minha avó e lá íamos nós para ouvir as histórias da missão. Ela contava com alegria, entusiasmo e compromisso sua inserção missionária no Pará. Ela contava da maneira simples como ela e as demais Irmãs viviam e revelavam o Amor Divino, de como Deus se revelava nesse povo, nessa cultura. O compromisso com os pobres, o respeito pelas culturas, a alegria e o entusiasmo de Irmã Anita mecheram comigo e me senti profundamente chamada a também doar a minha vida nesse Projeto de Vida.

Madre Franziska Lechner - Fundadora das Filhas do Amor Divino

3. É certo que você se identifica com o carisma das Filhas do Amor Divino. Assim, como é ser jovem dentro de uma congregação religiosa? A vida de uma pessoa consagrada a Deus é difícil?

Faço parte de uma Congregação que tem 143 anos de história, história construída por muitas Irmãs corajosas que doaram suas vidas para que o Divino Amor fosse revalado em 20 países. Isso traz muita riqueza, compromisso e desafios que exigem coragem e audácia na continuidade. Ser uma jovem Religiosa nesse contexto é ser profeta, é acreditar que Deus continua precisando de pessoas para que seu Reino cresça entre nós. Por isso procuro acolher o carisma legado por Madre Francisca Lechner e vivê-lo de um jeito jovem, comprometido, alegre e fliz em todas as realidades onde a missão precisar. Essa vocação tem suas dificuldades, como todas as demais, mas Deus dá a graça e a luz na caminhada, Ele não abandona a quem chamou. Eu procuro assumir sempre de novo, com liberdade e conciência a Vida Religiosa Consagrada vivendo a pobreza, a castidade e a obediência como o nosso Mestre Jesus, sendo irmã entre os irmãos e irmãs que encontrar na missão.


4. Em virtude da sua vocação, você está em contato constante com os jovens, com seus sonhos e seus problemas. Como a sua missão ajuda e é ajudada pela juventude?

Meu sonho como Religiosa é poder ajudar a juventude e juntos construirmos um outro mundo possível, a Civilização do Amor. Já antes de ingressar na Congregação tive contato com a caminhada da Pastoral da Juventude e depois já no tempo de formação foi-me proporcionado cursos, encontros e inserção junto com a juventude. Esse contato ajuda a quebrar paradigmas, me desafia a achar respostas e alternativas, não me deixa acomodar diante das dificuldades, pois tem muito a ser feito junto com a juventude para termos um mundo melhor. Acredito muito que precisamos encontrar ou ajudar a despertar o "sagrado" que habita em cada jovem e a partir desse sermos mais humanos, sensíveis e críticos diante da vida. É com a juventude que podemos construir um novo tempo.


5. A nossa diocese escolheu a Juventude, juntamente com a Família e a Catequese, como assunto prioritário nas ações pastorais. Além disso, estamos na expectativa da Campanha da Fraternidade 2013 sobre os jovens e da realização da Jornada Mundial da Juventude. Tendo em vista este contexto ineditamente favorável, quais são os seus sonhos para os jovens?

Sinto-me muito feliz por nossa Igreja ter assumido a juventude como prioridade e desafio. Isso representa uma grande Profecia para o atual cenário juvenil. A juventude vive uma constante busca por um Projeto de Vida, por propostas, alternativas que os ajudem a serem mais felizes e livres, sem a competitividade de nosso sistema. A juventude está aberta as propostas da Igreja, vemos isso pela adesão das propostas e encontros, aos desafios que são lançados...

Vejo também o compromisso que nós, enquanto Igreja, temos com a juventude, precisamos apresentar de fato um Projeto de Vida pelo qual a juventude tenha coragem de doar suas vidas. Bem sabemos, que esse período é tempo de buscas, discernimento vocacional, mas também de desafios, de encontrar respostas existenciais, que não devem ser apenas enfrentados na superficialidade, proporcionando apenas momentos isoldados de encontros, por vezes até de grandes massas, mas precisamos apresentar propostas de caminhada, de continuidade.

Eu sonho que nós, como Igreja, possamos ver e acolher o "Divino no jovem", como nos diz o Padre Hilário Dick, SJ, acolhendo a sua novidade, aprendendo a linguagem juvenil, seu jeito jovem e novo de ser Igreja, a fim de juntos construirmos a tão sonhada Civilização do Amor. Sonho que além do compromisso escrito no papel possamos de fato nos aproximar de todas as classes sociais da juventude, mas de modo especial da mais marginalizada e excluída pelo sistema, para ouvir seus anseios e sonhos. 

Sonho com a juventude crítica,  corajosa e que possa cobrar a profecia da Igreja, cobrar maior presença, propostas...


6. Os jovens da diocese também se preparam, com a peregrinação dos Símbolos, para a 5ª Jornada Diocesana da Juventude, que lhes propõe como modelo de coragem, alegria e fé a figura da Beata Chiara Luce Badano. Na sua opinião, a santidade vivida por esta adolescente pode se repetir hoje em dia, também nas novas gerações com tantos problemas sociais?

Acredito que possa se repetir sim. Temos muitos jovens que vivem o seu compromisso cristão, sua santidade, no anonimato de sua vida. Alguns até participam de nossos grupos, outros quem sabe não, mas em meio ao trabalho, estudo, convívio familiar, são sensíveis às dores e angustias do povo, são solidários e comprometidos. Precisamos olhar para a juventude de uma maneira nova. Existem "chavões" pronunciados, muitas vezes até por lideranças da Igreja, dizendo que o jovem "não quer nada com nada". Porém quem se deixa formar pelo Mestre Jesus sabe que não é assim, tem valores que são vividos pelo jovem mas não são reconhecidos e nem divulgados.

Viver o compromisso cristão, a santidade, é até mais difícil para a juventude da atualidade, exige coragem e ousadia que precisam ser cultivados.


7. Que mensagem você gostaria de deixar para os jovens da Diocese de Campo Mourão?

Querida juventude da Diocese de Campo Mourão, "a hora é agora, não deixe ela passar"! De fato, esse é o momento único e de graça para a juventude. A Igreja mostra-se preocupada e se coloca ao seu lado para achar soluções, a fim de garantir mais vida e vida em plenitude para toda a juventude. 

Porém, jovem, acolha essas propostas, dedique um tempo de seu dia a dia para refletir sobre sua vida, para se encontrar nos Grupos de Jovens a fim de refletir e construir juntos um Projeto de Vida iluminados pelo Jovem de Nazaré e tantos pessoas que são referenciais de vida. Não tenham medo de "perder tempo" refletindo, se encontrando, sonhando, contruindo um Projeto uma Proposta, vivendo os valores cristãos... Nossa vida precisa ter sentido, se não será vazia,não teremos rumo e nem horizonte a seguir.

Gostaria também de alertar a juventude à usar os Meios de Comunicação Social de maneira mais crítica e consciente, não podemos nos deixar levar pela ideologia, pela "onda do momento", precisamos ter coragem de questionar. Devemos e precisamos usar os Meio de Comunicação para sermos melhores, mais críticos e termos mais argumentos e propostas para construirmos o "outro mundo possível".

Jovens, sonhem, sejam ousados, sejam críticos, olhem para o Jovem de Nazaré para que vocês também possam "crescer em estatura, graça e sabedoria diante das pessoas e de Deus" (Lc 4,52).


O Setor Juventude agradece à Irmã Lizandra pela atenção e, sobretudo, louva a Deus pelo testemunho de vida dedicada à evangelização dos jovens de Nova Cantu e da Diocese de Campo Mourão. Deus lhe pague!